Haru Matsuri

Haru Matsuri – dias 19, 20 e 21/09/08

Vai chegando ao fim o tão aclamado ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Em Curitiba aconteceu a última grande festividade, o Haru Matsuri. Não aconteceu nada de muito novo, apenas o fato do palco principal ter “ganhado” as apresentações de bandas de j-music, cujo público é especificamente jovem. Além disso, o palco jovem transformou-se num tablado, fato que, no final das contas, não diminuiu a diversão dos presentes.
No entanto eu tenho algo muito especial para contar: me foi dada a missão de redigir um texto em homenagem à Claudio Seto. Tal pedio me deu algumas dores de estômago no início, afinal não é uma missão fácil falar de uma pessoa tão especial como ele. E o mais interessante é que eu acabei lendo o texto na abertura do matsuri, mesmo que meio timidamente. O que escrevi foi o seguinte:

“Quem vê um senhor barbudo tirando fotos durante o Matsuri ou sentado junto aos amigos bebendo cerveja nem imagina que ele é a pessoa mais importante para o acontecimento do festival. Há 17 anos esse mesmo senhor tão criativo teve a idéia de transformar as festas juninas realizadas dentro do Nikkei em Matsuris. A partir de então o festival não parou de crescer, atraindo todos aqueles que admiram a cultura japonesa em Curitiba.

“Mas essa é apenas uma faceta de um homem tão grandioso. Estou falando de Chuji Seto Takeguma. Talvez você tenha conhecido ele como o primeiro desenhista a publicar quadrinhos japoneses no Brasil. Quem sabe tenha lido algum de seus livros ou alguma das lendas por ele escritas. Ou ainda tenha em casa um bonsai que por ele foi cultivado com muito carinho. Pode ser que tenha ouvido falar de um certo japonês que foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Curitiba.

“Na verdade não importa como você o conheceu. Agora, uma coisa é certa: se você está aqui, a culpa é do Seto! Ele sempre lutou como um verdadeiro Samurai para divulgar a Cultura Japonesa em nossa cidade e é com muito orgulho que digo: você está vencendo. É você que traz todas essas pessoas até o Matsuri com sua força de vontade e trabalho.

“Se eu fosse citar todas as homenagens e prêmios que recebeu durante a vida, ia ocupar muito tempo. No entanto não posso deixar de comentar uma coisa: o Seto é uma pessoa muito humilde. Verdadeiramente humilde, algo muito difícil de se encontrar por aí. Nos fala sobre seus trabalhos nacionalmente conhecidos como se falasse da última coisa que viu na TV.

“Foi você, Seto, o primeiro a perceber que se mais jovens de cosplay, Gothic Lolita, Visual Kei ou apenas de touquinhas fossem atraídos aos Matsuris, a festa ganharia um charme especial. Foi então que insistiu para que um Palco Jovem fosse adicionado ao evento e sempre apoiou as manifestações culturais dessa juventude que tanto admira a Cultura Pop Japonesa.

“Todos nós aprendemos um pouco com o artista plástico, o mestre Onmyoji da seita Zenchi, o fotógrafo, o animador cultural, o jornalista, o poeta… Com esse homem único chamado Claudio Seto. Agradecemos do fundo do coração tudo o que tem feito pela Cultura Japonesa e para cada um de nós!

Bem, acho que depois disso não preciso dizer mais nada né? O Seto realmente merece uma homenagem assim e no fundo fico muito feliz por ter escrito e lido tal texto em público.

Sobre o(a) autor(a)

Mylle Silva

Sou escritora, roteirista e artesã. Apaixonada pela cultura japonesa, vivo com ela uma relação de amor e ódio desde 1996. Tento sobreviver entre palavras (www.oficinadeescrita.com.br) e encomendas (www.nhom.com.br)

Deixe um comentário

Clique aqui para comentar

Minhas identidades secretas

Oficina de Escrita - para escrever mais e melhor
 

Oficina de Escrita - para escrever mais e melhor
 

Botons Nhom - Presentes Memoráveis