Resenha: Lizard, de Banana Yoshimoto

Capa da versão americana

Aqui no Brasil temos a infelicidade de não recebermos a cultura japonesa da mesma maneira como recebemos a americana (ou mesmo a européia), e tal fato se agrava um pouco mais quando o assunto é cinema ou literatura japonesa. Um exemplo claro disso é a escritora Banana Yoshimoto, best-seller no mundo inteiro que tem apenas um de seus livros publicados no Brasil, Kitchen. Sendo assim, só nos resta ler em outras línguas, por isso esta é uma resenha de um livro em inglês – até porque ainda não consigo ler em japonês, hehe.

Lizard (Lagarto) foi o primeiro livro de contos de Banana publicado em inglês. Ao todo são seis contos, todos versando sobre destino e espiritualidade, como a própria autora expressa no posfácio da obra. “Escrevi estas histórias num período de mais ou menos dois anos. Nessa época eu estava interessada em explorar o o passar do tempo, recuperação emocional, karma e destino”, comenta. Todas as histórias possuem personagens bastante distintos, sempre longe de esteriótipo japonês ao qual estamos acostumados.

Em Newlywed (Recém-casado), um homem de 28 anos encontra uma espécie de espírito enquanto estava no trem, que inicialmente se mostra como um bêbado que puxa assunto e em seguida se transforma em uma mulher. O diálogo entre eles é centrado no desejo dele ir ou não para casa ver sua esposa. No posfácio da obra, Banana comenta que esse conto “passeou” por Tóquio através de posters afixados nos trens.

Lizard (Lagarto) conta a história de uma pequena mulher com uma tatuagem de Lagarto “escondida”  e um terapeuta de crianças com traumas familiares – sendo ele o narrador. O homem conta sobre seu relacionamento com Lizard, sobre seus poderes e traumas, além do grande segredo que ela lhe conta quando ele lhe pede em casamento.

Helix (Hélice) é o conto mais curto da obra e, na minha opinião, o pior deles. Com um tom “O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, a trama gira em torno de uma conversa do casal durante um encontro no qual ela conta que irá visitar um lugar que a fará esquecer todas as memórias ruins da vida – em especial as lembraças que ela tem com uma outra namorada. Ele, por sua vez, teme que ela esqueça as boas memórias que ambos tiveram juntos.

Dreaming of Kimchee (Sonhando com Kimchee) é, por sua vez, um dos melhores contos do livro. Conta a história de uma mulher, a qual narra a história, que se envolve com um homem casado e, após conseguir fazer com que ele se separasse da esposa e se casasse com ela, vive momentos de martírio pensando que ele a estaria traindo com uma terceira mulher.

Blood and Water (Sangue e Água) é a história de uma família que se muda para uma colônia alternativa após ter sido vítima de um roubo feito pelo sócio do pai da narradora. Ela, que cresceu nesse espaço “paz e amor” se vê querendo ganhar o mundo e vai para Tóquio, local no qual ela descobre que as pessoas de “fora” daquele pequeno espaço não são tão diferentes e “descoladas” quanto ela pensava.

A Strange Tale from Down by the River conta a história de Akemi, que decide parar com seu “hobby de fazer sexo” depois de ficar doente e começa a levar uma vida normal. No entanto, alguns fatos do seu passado começam a aparecer – até mesmo alguns que ela desconhecia -, ajudando-a a se descobrir. É também um dos melhores contos da obra.

Através de histórias simples Banana Yoshimoto é capaz de transmitir mensagens complexas com linguagem simples, como se a conclusão da história não encerrasse o seu mistério. Para resumir, Banana Yoshimoto é de uma simplicidade nada simples.

[ad#post-ad]

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *