Workshop de Origami na Biblioteca Pública

Entre os dias 03 e 13 de agosto o Consulado Geral do Japão promoveu uma exposição de cartazes a respeito das bombas nucleares que foram jogadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Junto com a exposição foi realizado um pequeno workshop de origami, mas apenas um deles era ensinado: o tsuru.

O tsuru ou garça é considerada um dos origamis mais perfeitos já criados, além de simbolizar a sorte. No Japão as pessoas costumam fazer o Semba Tsuru (mil tsurus) quando querem ter algum desejo atendido, como um pedido de paz, por exemplo. E era exatamente esse o objetivo do workshop realizado na biblioteca.

Sentei-me na mesa que fora colocada logo na entrada da biblioteca, próximo ao balcão de informações. Havia mais cinco pessoas sentadas, umas ensinando as outras. Apenas continuei dobrando sem grandes problemas. Algumas levantaram-se e foram embora e os restantes começaram a conversar entre si.

Leila, funcionária da biblioteca, parecia ser a encarregada de cuidar de tudo. Me perguntou se eu sabia fazer origami de camelo, de tulipa e de outras coisas que não me recordo. Não sabia nenhum deles. Começou então a ensinar como se fazia a aranha para o rapaz que estava ao seu lado, cujo o nome eu não descobri, mas que também devia ser funcionário da biblioteca.

Sempre que alguém aparecia querendo aprender a dobrar o tsuru o outro origami era escondido e ensinava-se a garça. Ao ver a caixa cheia e origamis, a pessoa perguntava qual era a finalidade daquilo. O professor temporário respondia que quando fossem feitos mil tsurus eles seriam mandados para a Praça da Paz, que fica em Hiroshima, no Japão. Por isso cada um que fizesse uma ave deveria escrever o nome e deixar uma mensagem de paz em um das asas.

Durante a tarde muitos dos funcionários da biblioteca deixavam sua contribuição, tanto que achei curioso o número deles que por ali passou. Alguns ia tirar as dúvidas sobre alguma das etapas da dobradura, outros iam pedir mais papel para continuar dobrando.

Aproximou-se uma menina loira, cabelos curtos, de óculos e que não devia ter mais que 10 anos. Me ofereci para ensinar-lhe mas ela disse que já sabia e começou a dobrar. Depois de algum tempo terminou e pediu mais papel. Ficou lá o resto da tarde, além de ter ensinado duas pessoas a fazer o tsuru.

Uma terceira pessoa que passou a tarde toda na mesa foi um rapaz chamado Marlon. Todo o tempo ouvindo música com seu MP3 player, ele ajudava algumas pessoas e orgulhava-se em dizer que tinha aprendido a dobrar ali, naquela mesma mesa, três dias antes. Se alguém dizia que era difícil dobrar, ele dizia que os primeiros são sempre mais difíceis, mas depois pega-se o jeito.

Praça da Paz, Hiroshima

O mais interessante nisso tudo é que eu esperava encontrar uma mesa num canto qualquer para fazer origami. Imaginava-me chegando lá e passando uma tarde solitária e sem graça. No entanto, o fato de uns ensinarem aos outros a fazer o tsuru realmente chamou minha atenção, exatamente por ser tão simples e ao mesmo tempo tão humano.

A exposição acabou e o objetivo foi atingido. O Semba Tsuru que recebeu inúmeras contribuições e carrega mensagens de paz sairá do Brasil e atravessará o mundo para então ser colocado na Praça da Paz, junto com outros milhares de tsurus que lá chegam frequentemente. Enquanto isso, peguemos papéis e comecemos a dobrar, porque ainda serão necessários muitos Semba Tsuru para atender todos os nossos desejos…

One comment on “Workshop de Origami na Biblioteca Pública

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *